FAQ

1. O que é o Espiritismo?
O Espiritismo é uma doutrina que estuda a natureza, a origem e o destino dos Espíritos, bem como as suas relações com o mundo material. Foi codificado pelo educador francês Hippolyte Léon Denizard Rival / Allan Kardec, em 1857, a partir das respostas obtidas por médiuns em vários países europeus. Apresenta-se simultaneamente como ciência (método experimental), filosofia (explicação racional da existência) e religião/ moral (baseada no Evangelho de Jesus).
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857); Allan Kardec — O que é o Espiritismo (1859); Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869; Conselho Espírita Internacional — Revue Spirite — Publicação atual (N.º 1–22), Léon Denis — Depois da Morte.

2. Quem foi Allan Kardec?
Allan Kardec é o pseudónimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail (Lyon, 1804 — Paris, 1869), pedagogo e investigador francês. Após assistir a sessões mediúnicas em Paris, recolheu e sistematizou, durante anos, as respostas, dadas pelos Espíritos superiores através de médiuns, a questões filosóficas e científicas. Publicou, entre 1857 e 1868, cinco obras que formam a Codificação Espírita. Até à sua morte, dirigiu pessoalmente a Revista Espírita, onde debateu e desenvolveu muitos dos princípios doutrinários.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857); Allan Kardec — O Livro dos Médiuns (1861); Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864); Allan Kardec — O Céu e o Inferno (1865); Allan Kardec — A Génese (1868); Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869; Allan Kardec — O que é o Espiritismo (1859).

3. Quando e onde surgiu o Espiritismo?
O Espiritismo surgiu em França, em 1857, com a publicação de “O Livro dos Espíritos”. Desenvolveu-se no contexto de grande efervescência científica e filosófica do século XIX e difundiu-se rapidamente pela Europa e pela América Latina. Léon Denis foi o principal continuador de Kardec.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857); Allan Kardec — Revista Espírita; Léon Denis — Depois da Morte; Léon Denis — O Problema do Ser, do Destino e da Dor; Francisco Cândido Xavier / Emmanuel (Espírito) — A Caminho da Luz.

4. O Espiritismo é uma religião?
O Espiritismo tem três dimensões: científica, filosófica e religiosa-moral. Enquanto ciência, estuda os fenómenos mediúnicos com método experimental. Enquanto filosofia, propõe respostas racionais sobre a natureza humana e o destino. Enquanto religião-moral, baseia-se no Evangelho de Jesus e na prática da caridade — sem sacerdotes, rituais, sacramentos nem dogmas.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O que é o Espiritismo (1859); Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864); Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869; Allan Kardec — O Espiritismo na sua Mais Simples Expressão; Léon Denis — Cristianismo e Espiritismo.

5. Quais são os cinco princípios básicos do Espiritismo?
1. A existência do Espírito e a sua sobrevivência após a morte física.
2. A reencarnação — o Espírito regressa à vida material tantas vezes quantas forem necessárias à sua evolução.
3. A lei de causa e efeito — cada ser responde pelas consequências dos seus atos.
4. A comunicação entre o mundo material e o espiritual — possível através da mediunidade.
5. A evolução progressiva dos Espíritos — nunca há retrocesso, apenas avanço gradual na direção à perfeição.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857); Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864); Léon Denis — Depois da Morte; Léon Denis — O Problema do Ser, do Destino e da Dor; Francisco Cândido /André Luiz — Nosso Lar; Francisco Cândido / Emmanuel — A Caminho da Luz.

6. Quais são as cinco obras da Codificação Espírita?
“O Livro dos Espíritos” (1857) — a espinha dorsal doutrinária.
“O Livro dos Médiuns” (1861) — guia prático sobre a mediunidade.
“O Evangelho segundo o Espiritismo” (1864) — comentário moral dos ensinamentos de Jesus.
“O Céu e o Inferno” (1865) — análise do destino da alma após a morte.
“A Génese” (1868) — sobre a criação do Universo e as leis naturais.
A Revista Espírita (1858–1869) complementa estas obras com os debates e desenvolvimentos doutrinários de Kardec ao longo de onze anos.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857); Allan Kardec — O Livro dos Médiuns (1861); Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864); Allan Kardec — O Céu e o Inferno (1865); Allan Kardec — A Génese (1868); Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869.

7. O Espiritismo acredita em mundos extraterrestres habitados?
Sim. O Espiritismo afirma que o Universo contém inúmeros mundos habitados, com seres em diferentes graus de evolução. A Terra não é o único palco da vida nem o único destino possível para as reencarnações: o Espírito pode encarnar em diferentes planetas ao longo da sua evolução. Esta perspetiva é desenvolvida em detalhe em “A Génese” e nos relatos do Espírito André Luiz sobre os mundos espirituais.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — A Génese (1868); Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857); Francisco Cândido /André Luiz — No Mundo Maior; Francisco Cândido /André Luiz — Nosso Lar; Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–186.

8. O que é a reencarnação segundo o Espiritismo?
A reencarnação, ou “pluralidade das existências”, é o regresso do Espírito a um novo corpo físico, após a morte. Não é punição, mas uma oportunidade de aprendizagem e evolução. Cada vida oferece experiências novas e a possibilidade de reparar erros do passado. O Espírito nunca retrocede: pode estacionar temporariamente, mas o seu percurso é sempre ascendente. O número de reencarnações é variável e depende do esforço individual em cada existência.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857); Léon Denis — Depois da Morte; Léon Denis — O Problema do Ser, do Destino e da Dor; Francisco Cândido /André Luiz — Nosso Lar — Francisco Cândido /André Luiz — E a Vida Continua…; Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Libertação (Série Psicológica, vol. 1).

9. O Espiritismo acredita em Deus?
Sim. O Espiritismo define Deus como a Inteligência Suprema, causa primeira de todas as coisas — eterno, imutável, imaterial, único, omnipotente, soberanamente justo e bom. Não é um Deus antropomórfico nem punitivo: é a fonte de todas as leis naturais e morais. O Espiritismo convida à compreensão racional da natureza de Deus através do estudo e da observação.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857); Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864); Léon Denis — Depois da Morte; Léon Denis — O Problema do Ser, do Destino e da Dor; Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Jesus e o Evangelho — à Luz da Psicologia Profunda.

10. O que são os Espíritos?
Os Espíritos são os seres inteligentes da criação — as almas dos seres que já viveram ou que irão viver no plano material. São criados simples e ignorantes, evoluindo progressivamente através das experiências acumuladas em múltiplas existências. Existem em diferentes graus de desenvolvimento: desde Espíritos ainda muito imperfeitos até Espíritos puros, que atingiram a perfeição máxima. Preservam sempre a sua individualidade de encarnação para encarnação.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857); Francisco Cândido /André Luiz — Nosso Lar Francisco Cândido /André Luiz — Os Mensageiros; Léon Denis — Depois da Morte; Léon Denis — O Problema do Ser, do Destino e da Dor; Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869.

11. O que é o perispírito?
O perispírito é um invólucro semimaterial, que liga o Espírito ao corpo físico durante a vida. Funciona como intermediário entre a matéria e o espírito, sendo o veículo das sensações e das manifestações mediúnicas. Após a morte física, o Espírito conserva o perispírito, que no plano espiritual assume a aparência que o Espírito teve ou deseja ter. É através do perispírito que se explicam o passe magnético, as aparições e certas manifestações mediúnicas físicas.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857); Allan Kardec — O Livro dos Médiuns (1861); Allan Kardec — A Gênese (1868); Francisco Cândido /André Luiz — Nosso Lar; Francisco Cândido /André Luiz — Nos Domínios da Mediunidade; Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869.

12. O que é a lei de causa e efeito no Espiritismo?
A lei de causa e efeito é uma lei natural universal: cada ação — boa ou má — tem consequências que o Espírito irá experimentar. Não é uma punição divina, mas um mecanismo de justiça e aprendizagem. As dificuldades que enfrentamos podem ser provas escolhidas pelo próprio Espírito antes de encarnar, expiações de comportamentos passados, ou missões que nos permitem ajudar os outros. O livre-arbítrio é fundamental: cada ser escolhe o seu caminho.
Fontes bibliográficas:
› Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857) › Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) › Allan Kardec — O Céu e o Inferno (1865) › Léon Denis — Depois da Morte › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Libertação (Série Psicológica, vol. 1) › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Vida: Desafios e Soluções (Série Psicológica, vol. 8).

13. O que diz o Espiritismo sobre Jesus?
Jesus é apresentado no Espiritismo como o modelo moral mais elevado já encarnado na Terra — um Espírito de exceção que voluntariamente desceu ao nosso plano para ensinar, pelo exemplo, a Lei do Amor e da Caridade. O Espiritismo não o considera Deus, mas sim o mensageiro mais perfeito de Deus. A moral de Jesus, contida no Evangelho, é o guia de evolução para toda a humanidade.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) › Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857) › Francisco Cândido / Emmanuel — A Caminho da Luz › Francisco Cândido / Emmanuel — Religião dos Espíritos › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Jesus e o Evangelho — à Luz da Psicologia Profunda › Léon Denis — Cristianismo e Espiritismo.

14. O que é o livre-arbítrio no Espiritismo?
O livre-arbítrio é um princípio fundamental: cada Espírito tem plena liberdade de escolher os seus atos, pensamentos e atitudes — Deus não determina o destino de ninguém. Esta liberdade é a condição do progresso moral: só tem mérito o bem que se pratica por escolha, não por obrigação. O Espiritismo rejeita o fatalismo: embora algumas circunstâncias da vida possam ter sido escolhidas pelo Espírito antes de encarnar, a forma como se reage a elas é sempre uma decisão livre.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857) › Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) › Léon Denis — Depois da Morte › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Conflitos Existenciais (Série Psicológica, vol. 2) › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Lágrimas e Bênçãos (Série Psicológica, vol. 5) › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869.

15. O que é a mediunidade?
A mediunidade é a faculdade que permite a certas pessoas estabelecerem contacto com o mundo espiritual — seja sentindo a presença dos Espíritos, recebendo as suas mensagens ou servindo de instrumento para as suas manifestações. É uma faculdade natural, que muitas pessoas possuem em graus variados, independentemente da religião ou crença. No Espiritismo, é praticada gratuitamente, com seriedade doutrinária, dentro de princípios morais.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Médiuns (1861) › Francisco Cândido /André Luiz — Nos Domínios da Mediunidade, Francisco Cândido /André Luiz — Mecanismos da Mediunidade › Yvonne do Amaral Pereira — Recordações da Mediunidade › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Mente e Vida (Série Psicológica, vol. 3) › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869.

16. O que é o passe espírita?
O passe é uma transmissão de energia espiritual em que o médium — com o auxílio de Espíritos benfeitores — canaliza fluidos magnéticos equilibrantes para a pessoa que o recebe. Tem efeitos terapêuticos sobre o sistema nervoso e o perispírito, promovendo equilíbrio e bem-estar físico, mental e espiritual. É sempre dado gratuitamente, em silêncio e com recolhimento. Não substitui os cuidados médicos convencionais.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Médiuns (1861) › Francisco Cândido /André Luiz — Nos Domínios da Mediunidade; Francisco Cândido /André Luiz — Mecanismos da Mediunidade › Yvonne do Amaral Pereira — Recordações da Mediunidade › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Saúde e Plenitude (Série Psicológica, vol. 4) › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869.

17. Como é uma sessão espírita (reunião mediúnica)?
As reuniões espíritas realizam-se em ambiente simples e sereno, geralmente em grupos pequenos, com uma prece de abertura, estudo doutrinário, e por vezes trabalhos mediúnicos (mensagens, psicografia ou desobsessão). Não há rituais, velas, imagens, incenso, bebidas alcoólicas ou qualquer parafernália esotérica. O objetivo é o estudo, a prática da caridade e o apoio fraterno — tanto a reencarnados como a desencarnados que necessitem de orientação.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Médiuns (1861) › Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) › Francisco Cândido /André Luiz — Nos Domínios da Mediunidade › Yvonne do Amaral Pereira — Recordações da Mediunidade › Yvonne do Amaral Pereira/ Bezerra de Menezes — Dramas da Obsessão › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869.

18. As atividades espíritas são gratuitas?
Sim, absolutamente. Toda a prática espírita é gratuita — passes, orientação fraternal, reuniões, estudos. Este é um princípio moral fundamental, baseado na máxima evangélica “Dai de graça o que de graça recebestes”. Qualquer cobrança de dinheiro por serviços espíritas é contrária aos princípios da doutrina e deve ser recusada.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) › Allan Kardec — O Livro dos Médiuns (1861) › Allan Kardec — O que é o Espiritismo (1859) › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869› Conselho Espírita Internacional — Revue Spirite — Publicação atual.

19. O que é a desobsessão?
A desobsessão, segundo o Espiritismo, é o processo que conduz à libertação da influência negativa persistente exercida pelo obsessor sobre o obsidiado. É uma ação baseada no amor e no esclarecimento, levando o obsidiado a compreender que a reforma íntima é a sua principal ferramenta, promotora do processo de autodesobsessão. Elevando o seu padrão vibratório através da oração, do estudo e das boas ações, elimina gradualmente a sintonia mental com o obsessor, seja ele reencarnado ou desencarnado.
No caso de um obsessor desencarnado, este processo poderá ser acompanhado pela realização de reuniões mediúnica, onde médiuns e doutrinadores, assistidos por Espíritos superiores, dialogam com o ou os obsessores, oferecendo amparo e esclarecimento. De realçar que este procedimento, quando não acompanhado do trabalho realizado em si mesmo pelo obsidiado, mostra-se ineficaz, a médio ou longo prazo, ainda que o espírito obsessor tenha sido socorrido.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Médiuns (1861) › Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) › Francisco Cândido /André Luiz — Nos Domínios da Mediunidade › Yvonne do Amaral Pereira / Bezerra de Menezes — Dramas da Obsessão › Yvonne do Amaral Pereira — Dramas da Obsessão › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869.

20. O que é a psicografia?
A psicografia é uma forma de mediunidade em que o médium escreve textos ditados ou inspirados por Espíritos. O médium funciona como instrumento — a sua mão escreve, mas o conteúdo provém do mundo espiritual. É um dos fenómenos mediúnicos mais estudados. Os espíritos André Luiz, Emmanuel e Joanna de Ângelis, através dos médiuns francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco, produziram centenas de obras psicografadas que complementaram doutrinariamente grande parte do estudo espírita moderno.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Médiuns (1861) › Francisco Cândido /André Luiz — Nosso Lar › Yvonne do Amaral Pereira — Recordações da Mediunidade › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Libertação (Série Psicológica, vol. 1) › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869 › Conselho Espírita Internacional — Revue Spirite — Publicação atual.

21. Qualquer pessoa pode frequentar uma casa espírita?
Sim. As casas espíritas estão abertas a toda a gente, independentemente de crença, religião, origem ou qualquer outra característica. O Espiritismo não impõe os seus princípios e não pede que ninguém abandone a sua fé anterior. Convida apenas à reflexão racional e ao livre exame. Qualquer pessoa que sinta curiosidade, que esteja a passar por momentos difíceis, ou que simplesmente queira estudar a doutrina é bem-vinda.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) › Allan Kardec — O que é o Espiritismo (1859) › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869.

22. O que acontece depois da morte segundo o Espiritismo?
Segundo o Espiritismo, a morte física é apenas a separação do Espírito do corpo material — não o fim da existência. O Espírito permanece consciente e preserva a sua personalidade, memórias e afetos. Após um período de adaptação ao mundo espiritual, e após rever a vida que terminou, o Espírito prepara uma nova encarnação para continuar o seu percurso evolutivo. Não existe nem “céu” estático nem “inferno” eterno: existem planos de existência correspondentes ao grau moral de cada Espírito.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Céu e o Inferno (1865) › Francisco Cândido /André Luiz — Nosso Lar › Léon Denis — Depois da Morte › Léon Denis — O Problema do Ser, do Destino e da Dor › Francisco Cândido / Emmanuel — A Caminho da Luz › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Libertação (Série Psicológica, vol. 1).

23. O que acontece aos Espíritos entre encarnações?
Após a morte física, o Espírito transita para o plano espiritual, onde continua a existir, a aprender e a trabalhar. Pode conviver com entes queridos que já desencarnaram, rever a existência que terminou e preparar a próxima encarnação. O tempo entre encarnações varia ao infinito, consoante o grau de evolução e as necessidades de aprendizagem de cada Espírito. O plano espiritual é uma realidade vibrante, não um estado de espera passiva.
Fontes bibliográficas:
Francisco Cândido /André Luiz — Nosso Lar › Francisco Cândido /André Luiz — Os Mensageiros › Francisco Cândido /André Luiz — Missionários da Luz › Francisco Cândido /André Luiz — No Mundo Maior › Allan Kardec — O Céu e o Inferno (1865) › Léon Denis — Depois da Morte.

24. O Espiritismo acredita em céu e inferno?
O Espiritismo não acredita em locais físicos de recompensa ou castigo eterno. O “céu” e o “inferno” são estados do Espírito — condições de maior ou menor evolução moral e intelectual. Um Espírito mais evoluído vive em planos de luz, harmonia e sabedoria; um Espírito ainda muito imperfeito pode encontrar-se em condições de sofrimento e confusão — que são consequência natural dos seus próprios atos, não uma punição divina. A evolução é sempre possível e nenhum Espírito está condenado para sempre.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Céu e o Inferno (1865) › Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857) › Francisco Cândido /André Luiz — Nosso Lar › Léon Denis — Depois da Morte › Léon Denis — O Problema do Ser, do Destino e da Dor › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869.

25. Guardamos memórias das vidas anteriores?
Em geral, não — e o Espiritismo explica esta “amnésia encarnatória” como uma misericórdia divina: se recordássemos todos os erros, sofrimentos e conflitos de existências passadas, seria impossível recomeçar com clareza. No entanto, o Espírito traz consigo as qualidades e tendências adquiridas — aptidões, inclinações morais, medos inexplicáveis, afinidades instantâneas — que são a marca inconsciente das experiências acumuladas. A obra de Yvonne Pereira explora em profundidade as consequências das memórias inter-vidas.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857) › Léon Denis — Depois da Morte › Yvonne do Amaral Pereira — Nas Telas do Infinito › Yvonne do Amaral Pereira — Amor e Ódio › Yvonne do Amaral Pereira / Camilo Cândido Botelho, coord. Léon Denis — Memórias de um Suicida (1955) › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Conflitos Existenciais (Série Psicológica, vol. 2).

26. O que é o sofrimento na visão espírita?
O sofrimento não é uma punição arbitrária de Deus, mas uma prova escolhida pelo Espírito antes de encarnar, uma consequência natural de ações passadas, ou uma missão assumida para ajudar os outros. A perspetiva espírita convida a encarar as dificuldades com resignação ativa — compreensão de que cada prova tem um propósito evolutivo. O sofrimento inútil não existe: toda a experiência, por mais dolorosa, contribui para o crescimento do Espírito.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) › Allan Kardec — O Céu e o Inferno (1865) › Léon Denis — O Porquê da Vida › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Lágrimas e Bênçãos (Série Psicológica, vol. 5) › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Vida: Desafios e Soluções (Série Psicológica, vol. 8) › Yvonne do Amaral Pereira / Camilo Cândido Botelho, coord. Léon Denis — Memórias de um Suicida (1955).

27. Qual a diferença entre Espiritismo, Espiritualismo e Umbanda?
O Espiritismo é a doutrina codificada por Allan Kardec em França no século XIX, com base científica e filosófica e consequências morais, que inclui a reencarnação como princípio central. Todas as crenças que admitem a existência da alma ou do espírito são espiritualistas, genericamente falando. O chamado Moderno Espiritualismo (anglo-saxónico) aceita a comunicação com Espíritos, mas não necessariamente a reencarnação. A Umbanda é uma religião afro-brasileira com rituais, entidades e práticas distintas do Espiritismo. São doutrinas diferentes, com origens, princípios e práticas próprias.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O que é o Espiritismo (1859) › Allan Kardec — O Livro dos Espíritos (1857) › Léon Denis — Cristianismo e Espiritismo › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869.

28. O Espiritismo é compatível com outras religiões?
O Espiritismo não exige que as pessoas abandonem a sua fé. Muitos espíritas mantêm a sua religião de origem em paralelo com o estudo da doutrina. O Espiritismo respeita todas as religiões e considera que Jesus — o seu modelo moral supremo — é reconhecido como figura central pela maioria das tradições religiosas. A incompatibilidade surge apenas quando uma religião assenta em dogmas que o Espiritismo questiona racionalmente, como a punição eterna ou a unicidade da vida.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) › Allan Kardec — O que é o Espiritismo (1859) › Léon Denis — Cristianismo e Espiritismo › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Jesus e o Evangelho — à Luz da Psicologia Profunda › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869 › Conselho Espírita Internacional — Revue Spirite — Publicação atual.

29. O Espiritismo usa rituais, amuletos ou objetos mágicos?
Não. O Espiritismo não usa altares, imagens, velas, incenso, amuletos, talismãs, cristais, horóscopos, cartomancia, pirâmides, bebidas alcoólicas, fumo ou qualquer objeto de culto externo. A prática espírita é austera e racional: baseia-se no estudo, na prece simples e sincera, e na caridade. Qualquer prática espírita que envolva estes elementos não segue a codificação de Allan Kardec.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O que é o Espiritismo (1859) › Allan Kardec — O Livro dos Médiuns (1861) › Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869.

30. O Espiritismo pode ser praticado em conjunto com a medicina convencional?
Sim, pois constituem áreas totalmente distintas. No que respeita à saúde, o Espiritismo considera que esta é multidimensional — física, mental e espiritual — e que médicos e terapeutas são instrumentos de Deus no cuidado das pessoas. O estudo, o passe espírita e o apoio espiritual das casas espíritas, no caso de problemas de saúde, complementam sempre a abordagem médica, nunca a substituem. O Espiritismo não é uma terapia.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Médiuns (1861) › Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Saúde e Plenitude (Série Psicológica, vol. 4) › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Mente e Vida (Série Psicológica, vol. 3) › Francisco Cândido /André Luiz — Nos Domínios da Mediunidade › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869.

31. Podemos falar com os nossos mortos através do Espiritismo?
O Espiritismo afirma que a comunicação com Espíritos desencarnados é possível através da mediunidade. No entanto, nem sempre é possível contactar um Espírito específico — depende do grau de evolução do Espírito, do merecimento do reencarnado, das condições mediúnicas e da autorização divina para cada caso em concreto. O Espiritismo adverte para os riscos das mistificações: Espíritos menos evoluídos podem imitar outras personalidades. Por isso, as comunicações mediúnicas devem ser sempre avaliadas à luz da razão e da moral.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Livro dos Médiuns (1861) › Francisco Cândido /André Luiz — Nos Domínios da Mediunidade › Yvonne do Amaral Pereira — Recordações da Mediunidade › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869 › Conselho Espírita Internacional — Revue Spirite — Publicação atual

  1. O que pensa o Espiritismo sobre a ciência?

O Espiritismo tem uma relação positiva com a ciência, considerando que as leis naturais são as próprias leis de Deus. Kardec utilizou o método científico para investigar os fenómenos mediúnicos. O Espiritismo acolhe as descobertas científicas e procura harmonizá-las com a perspetiva espiritual. Ciência e espiritualidade não são opostas, mas complementares: a ciência estuda o mundo material, o Espiritismo propõe-se estudar o mundo espiritual com o mesmo rigor.Fontes bibliográficas: Allan Kardec — A Génese (1868) › Allan Kardec — O que é o Espiritismo (1859) › Léon Denis — O Problema do Ser, do Destino e da Dor › Léon Denis — No Invisível › Divaldo Franco / Joanna de Ângelis — Mente e Vida (Série Psicológica, vol. 3) › Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869.

  1. Quando chegou o Espiritismo a Portugal?

O Espiritismo chegou a Portugal na segunda metade do século XIX, poucos anos após a sua codificação em França, embora a Federação Espírita Portuguesa (FEP) só tenha sido fundada a 26 de maio de 1926, altura em que se tornou a entidade federativa do movimento espírita nacional. Em 2026, a FEP celebra os seus 100 anos de existência — um marco histórico assinalado com o Congresso Nacional de Espiritismo 2026.

Fontes bibliográficas: Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869 › Léon Denis — Depois da Morte › Léon Denis — Cristianismo e Espiritismo › Conselho Espírita Internacional — Revue Spirite — Publicação atual.

 

  1. Qual é o papel da Federação Espírita Portuguesa?

A FEP é a entidade representativa do movimento espírita em Portugal, nomeadamente no Conselho Espírita Internacional (CEI). Os seus objetivos são promover a divulgação da Doutrina Espírita, apoiar e federar as casas espíritas nacionais, organizar a formação de educadores espíritas e representar Portugal no movimento espírita mundial. A sede fica na Amadora, e conta com casas espíritas federadas em todos os distritos do país e nas regiões autónomas.

Fontes bibliográficas: Conselho Espírita Internacional — Revue Spirite — Publicação atual› Allan Kardec — O que é o Espiritismo (1859).

  1. Quantas casas espíritas existem em Portugal?

Portugal conta com dezenas de casas espíritas, distribuídas por todos os distritos do continente, pela Região Autónoma da Madeira e pela Região Autónoma dos Açores. A maior concentração encontra-se nos distritos de Lisboa, Porto, Aveiro e Braga. Pode consultar o mapa interativo de todas as casas federadas na secção “Casas Espíritas” do site feportuguesa.pt.

 Fontes bibliográficas: Conselho Espírita Internacional — Revue Spirite — Publicação atual.

36. Como posso frequentar uma casa espírita em Portugal?
Basta procurar a casa espírita mais próxima de si — através do mapa interativo no site da FEP — e comparecer nas horas de funcionamento. Não há taxas de entrada e não são feitas perguntas sobre crenças ou filiação religiosa. As atividades públicas habituais incluem palestras e estudos doutrinários.
Fontes bibliográficas:
Allan Kardec — O Evangelho segundo o Espiritismo (1864) › Allan Kardec — O que é o Espiritismo (1859) › Conselho Espírita Internacional — Revue Spirite — Publicação atual.

37. Como posso começar a estudar o Espiritismo?
A FEP disponibiliza vários percursos de estudo. Presencialmente, o Estudo de “O Livro dos Espíritos”, na sua sede, na Amadora; Online, o EBE (Estudo Básico de Espiritismo), o EBM (Estudo Básico da Mediunidade), o ESDE (Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita) e o André Luiz de A a Z.

38. O Espiritismo está organizado internacionalmente?
Sim. O movimento espírita mundial está coordenado pelo Conselho Espírita Internacional (CEI), que reúne federações de 36 países. Portugal, através da FEP, é membro ativo do CEI. O CEI publica gratuitamente a Revue Spirite em múltiplos idiomas e disponibiliza as obras básicas de Allan Kardec para download no seu site.
Fontes bibliográficas:  Conselho Espírita Internacional — Revue Spirite — Publicação atual › Allan Kardec — O que é o Espiritismo (1859).

39. A Revue Spirite tem edição em Português?
Sim. A Revue Spirite foi fundada pelo próprio Allan Kardec em janeiro de 1858, tornando-se a publicação espírita mais antiga do mundo. Hoje é a publicação oficial do CEI e está disponível gratuitamente em Português, no site revuespirite.cei-spiritistcouncil.com.
A FEP apresenta cada edição na secção “Revue Spirite” do seu site feportuguesa.pt.
Quanto às edições históricas de Kardec (1858–1869), estão disponíveis para consulta online. Disponíveis também em papel em livrariafep.pt.
Fontes bibliográficas: Allan Kardec — Revista Espírita — Anos 1858–1869 › Conselho Espírita Internacional — Revue Spirite — Publicação atual › Conselho Espírita Internacional — Site oficial CEI — obras e downloads.


Apêndice — Índice Rápido de Fontes por Pergunta

  1. O que é o Espiritismo?
  2. Quem foi Allan Kardec?
  3. Quando e onde surgiu o Espiritismo?
  4. O Espiritismo é uma religião?
  5. Princípios básicos
  6. Obras da Codificação
  7. Mundos habitados
  8. Reencarnação
  9. Deus
  10. Espíritos
  11. Perispírito
  12. Lei de causa e efeito
  13. Jesus
  14. Livre-arbítrio
  15. Mediunidade
  16. Passe
  17. Sessão espírita
  18. Gratuitidade
  19. Desobsessão
  20. Psicografia
  21. Acesso às casas
  22. Após a morte
  23. Entre encarnações
  24. Céu e inferno
  25. Memórias
  26. Sofrimento
  27. Diferenças doutrinárias
  28. Compatibilidade religiosa
  29. Rituais
  30. Medicina
  31. Comunicação com mortos
  32. Ciência
  33. Espiritismo em Portugal
  34. FEP
  35. Casas espíritas
  36. Como frequentar
  37. Como estudar
  38. Organização internacional
  39. Revue Spirite